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Conexão
Brasil
abril
de 2007
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A
Verdade
“A verdade é. Não é preciso esforço algum de
sua parte para inventá-la. A verdade tem que ser
descoberta, não inventada. E o que está nos impedindo de
descobri-la? Nos ensinaram muitas mentiras, montanhas de
mentiras. Estas são as barreiras que continuam falsificando
a verdade, que não permitem que nossos corações sejam um
reflexo daquilo que ela é.
A verdade não é uma conclusão lógica. A verdade
é a existência, a realidade. Ela já está aqui – ela
sempre esteve aqui. Somente a verdade existe. Então, por
que não conseguimos encontrá-la? Porque desde o início da
infância, nos ensinaram falsidades, pré-julgamentos,
ideologias, religiões, filosofias... Tudo isto fez com que
ficássemos perdidos. Como fazer para encontrá-la?
A verdade não é uma idéia. Você não precisa ser
um hindu para conhecê-la, ou um muçulmano, ou um cristão.
Se você for um hindu, nunca irá conhecê-la; exatamente
por ser um hindu, isto irá mantê-lo cego. O que queremos
dizer quando dizemos, ‘eu sou um hindu, ou um muçulmano,
ou um judeu’? Nos queremos dizer, ‘ eu já tenho idéias
a respeito do que é a verdade – idéias da Bíblia, do
Corão, ou do Gita, mas eu já tenho as idéias. Eu não
conheço a verdade, mas já sei muito a respeito dela.’ E
este ‘já sei muito a respeito’ é o único problema que
tem que ser resolvido.
Uma vez que você abandone suas idéias a respeito da
verdade, você se verá face a face diante dela interna e
externamente. Você se verá diante dela porque nada mais
existe.
Mas, os pais, a sociedade, o estado, a igreja e o
sistema educacional, todos eles dependem de mentiras. Assim
que a crianca nasce, eles começam a montar as armadilhas
para lhe incutir mentiras. A criança é indefesa. Ela não
consegue escapar de seus pais, ela é completamente
dependente. Você pode explorar a sua dependência... E isto
tem sido explorado ao longo dos séculos.
Ninguém foi tão explorado quanto as crianças –
nem o proletariado, nem as mulheres. Ninguém foi explorado
tanto, tão profundamente e tão destrutivamente quando as
inocentes crianças. E porque são indefesas e dependentes,
elas aprendem qualquer coisa que vocês lhes ensinem. Elas têm
que engolir todas as mentiras que vocês continuam
empurrando para dentro delas. É uma questão de sobrevivência,
pois elas não conseguem sobreviver sem vocês. É uma questão
de vida ou morte! Elas têm que ser hindus, ou muçulmanas,
ou jainas, ou budistas, ou comunistas. Tudo que vocês
estiverem interessados em colocar em suas mentes, vocês
colocarão.
Ao invés de torná-las mais alertas, mais
conscientes, mais vivas e mais reflexivas como um espelho,
ao invés de torná-las mais puras, vocês as tornam cheias
de idéias... Camadas e camadas de poeiras. E assim, fica
impossível para elas ver aquilo que é. Elas começam a ver
aquilo que não é e param de ver aquilo que é.
Então, ser verdadeiramente religioso significa um
renascimento: tornar-se novamente como uma criança e
abandonar tudo o que a sociedade lhe deu.
A religião é uma rebelião contra tudo o que lhe
foi imposto, uma rebelião contra ser reduzido a um
computador. Simplesmente olhe para dentro! Tudo o que você
sabe, foi-lhe ensinado, não é um conhecimento seu,
não é autenticamente seu. Como pode ser autêntico, se não
é seu? Você não é uma testemunha dele, você é apenas
uma vítima – vítima das circunstâncias.
É apenas um acidente nascer na Índia ou na
Inglaterra. É apenas um acidente nascer numa família hindu
ou numa família cristã. Por causas desses acidentes, a sua
natureza essencial foi perdida. Você foi forçado a perdê-la.
Se você quiser resgatá-la, você terá que renascer.
E é isto exatamente o que Jesus quer dizer quando
diz a Nicodemos: ‘A não ser que nasça novamente, você não
entrará no reino de Deus.’ Na verdade, ele não quer
dizer que você tem que morrer, tem que cometer suicídio e
depois nascer de novo. Isto não irá ajudar, pois você irá
nascer novamente com alguns pais, numa certa sociedade,
dentro de uma certa igreja, e de novo a mesma estupidez será
feita com você.
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Por ‘renascimento’, Jesus quer dizer que agora,
deliberadamente e conscientemente, você é capaz de abandonar
tudo o que lhe foi ensinado.
Abandone o seu conhecimento e torne-se inocente.
E esta é a única maneira de se tornar inocente. O
conhecimento é a contaminação. Ser inocente é estar num estado
de não-conhecimento e, funcionar a partir deste estado, é a única
maneira de conhecer a verdade.
Medite sobre estes sutras
tremendamente significantes de Goutama Buda.
Ele
diz:
Tomando
erradamente o falso como sendo verdadeiro
E o verdadeiro como sendo falso,
Você
faz vista grossa para o coração
E
se enche de desejos.
A mente nada mais é que desejos. O coração não conhece
desejos. Você ficará surpreso ao saber que todos os desejos
pertencem à cabeca. O coração vive no presente, ele pulsa e
bate no aqui e agora. Ele nada conhece a respeito do passado e do
futuro. Ele sempre está aqui e agora.
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Dropping Knowledge
Osho Transformation Tarot
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E eu não estou falando a respeito de uma filosofia. Eu
estou simplesmente declarando um fato tão simples que você
pode observá-lo dentro de si mesmo: o seu coração está
batendo agora. Ele não consegue bater no passado nem no futuro.
O coração conhece apenas o presente, por isto ele é
completamente puro. Ele não está poluído pelas memórias do
passado, pelos conhecimentos, pelas experiências passadas, por
tudo que lhe foi dito e ensinado, pelas escrituras e pelas tradições.
Ele nada sabe a respeito de todas estas tolices!
Ele nada sabe a respeito do futuro, do amanhã. Para ele
o passado não existe mais e o futuro ainda não existe. Ele está
completamente aqui.
Ele é imediato.
Mas
a mente é exatamente o oposto do coração. Ela nunca está
aqui e agora. Ou
ela está pensando nas belas experiências do passado ou está
desejando as mesmas belas experiências no futuro. Assim ela
segue pulando entre o passado e o futuro. Ela nunca pára no
presente. Ela ignora completamente o presente. Para a mente, o
presente não existe. Veja o ponto: o presente é a unica coisa
que existe, mas para a mente o presente é a unica coisa que não
existe. O passado é não-existencial, o futuro é não-existencial,
mas para a mente essas são as únicas coisas existenciais.
A
cabeça é o problema... E o coração é a solução.
A
criança funciona a partir do coração. Na medida em que você
começa a crescer, começa a se mover do coração para a cabeça.
Quando alcança a graduação na universidade, o coração já
foi esquecido completamente. Você está pendurado na cabeça.
Toda a sua energia moveu-se para a cabeça.
Agora
você nada sabe a respeito da realidade. Você está cheio de
lixo erudito e tolices acadêmicas. Você pode ser um Ph.D. um
D.Litt. Você conhece muito, mas nada conhece! Porque o
verdadeiro conhecer acontece no coração, não na cabeça. E as
universidades existem para desviar a sua energia do coração
para a cabeça.
Todas
as universidades no mundo, até agora, têm sido inimigas da
humanidade. Toda a função delas é servir ao estado e à
igreja. Elas são agentes do status quo, elas são agentes de
interesses ocultos. Elas não servem a você. Elas servem aos
poderosos, aos patrões, aos opressores e aos exploradores. As
universidades servem a tudo o que está ao redor do poder. Elas
ainda não estão a serviço da humanidade.
Se
elas estivessem verdadeiramente a serviço da humanidade, então
as universidades seriam os locais para se aprender a rebelião,
elas criariam revolucionários. A univerdade não criaria
pessoas convencionais, conformistas. Ela criaria rebeldes,
aventureiros, prontos para arriscarem suas vidas pela verdade.
Isto não aconteceu ainda.
É
um fato triste que em nome da educação seja dada continuidade
a alguma coisa muito feia. Por trás da fachada, algo muito
criminoso continua. E o crime é este: eles desviam sua energia
do coração para a cabeça, destroem sua capacidade de amar e
forçam-no a aprender lógica. Para eles a lógica é mais
importante que o amor, pensar é mais importante que ser sensível.
Isto é colocar o carro na frente dos bois. Isto está
totalmente às avessas.
É
por isto que a humanidade está em tal confusão. O que não é
verdadeiro parece ser verdadeiro e o que é verdadeiro parece
ser não-verdadeiro. Eles tem tido êxito em distorcer a sua visão.
Os Budas têm lutado contra todos estes interesses
ocultos.
Buda diz:
Tomando erradamente o falso como sendo verdadeiro
E
o verdadeiro como sendo falso,
Você
faz vista grossa para o coração
E
se enche de desejos.
A mente é desejo e vocês continuam se enchendo de mais
e mais desejos, mais e mais ambições, buscando poder, prestígio
e riqueza. E se esqueceram completamente que existe um coração
batendo dentro, o qual já vive em Deus, o qual já é parte da
lei maior – ais dhammo
sanantano – aquilo que já é parte da inesgotável e
eterna lei. Vocês já estão ligados a Deus a partir de seus
corações. Seus corações são raízes no solo de Deus. Seus
corações ainda são alimentados por Deus, pela verdade.
Mas
vocês não estão ali. Vocês deixaram o local vazio. Vocês
vivem na cabeça. Vocês passam todos os dias em suas cabeças;
nunca descem de lá. Mesmo durante a noite, enquanto dormem, vocês
continuam com o barulho na cabeca... Sonhos, sonhos e mais
sonhos. Durante o dia, pensamentos, e durante a noite, sonhos.
Eles não são diferentes.
O
sonho é apenas a tradução do pensamento para a linguagem do
sono, e vice-versa: pensar nada mais é que a tradução do
sonho para a linguagem do dia. Você continua se movendo entre
estas duas coisas: sonhar e pensar. Ambos são desejos. O que
você pensa a não ser desejos? O que você sonha a não ser
desejos?
Buda
diz que o falso parece ser verdadeiro porque você se tornou
falso para a sua própria verdade, para o seu próprio coração.
Volte para o seu coração e então você será capaz de
reconhecer a verdade como verdade e o falso como falso. Isto é
iluminação, isto é voltar para casa.
Veja o falso como
falso.
Mas, por onde começar? Comece por ver o falso como
falso. É por isto que todos os Budas parecem ser negativos,
todos os Budas parecem ser destrutivos. Eles negam. Jesus nega.
Ele diz repetidas vezes: ‘No passado lhes foi dito isto, mas
eu digo a vocês...’ E ele muda todo o ponto de vista.
Por
exemplo, ele diz: ‘No passado foi dito que a lei era: pague
com a mesma moeda. Se alguém lhe atirar um tijolo, reaja
atirando-lhe uma pedra. Mas eu lhes digo, se alguém bater-lhe
em uma face, ofereça a outra também. E se alguém levar-lhe o
casaco, dê-lhe a camisa também. E se alguém forçá-lo a
andar uma milha, ande duas.’
Maomé
é contra todas as imagens de Deus porque seu povo esteve
adorando imagens por séculos. Eles tinham trezentos e sessenta
e cinco deuses, um deus para cada dia do ano. A Caaba, na época
de Maomé, era um dos maiores templos do mundo, dedicado a
trezentos e sessenta e cinco deuses. Maomé destruiu todos
aqueles ídolos. Isto parece negativo!
Buda
diz: ‘Não existe verdade nos Vedas nem nos Upanishads.
Cuidado com palavras bonitas! Cuidado com especulações filosóficas!
Não desperdice seu tempo com lógica. Fique em silêncio! Jogue
fora os Vedas de sua cabeça; somente assim você consegue ficar
em silêncio.’ Ele parece negativo, ele parece nihilista,
perigoso – mas esta é a única maneira que você pode ser
ajudado.
O
falso tem que ser mostrado a você como falso. Você tem que
começar com isto: neti neti – nem isto nem aquilo. O Mestre tem que dizer
a você: ‘Isto é falso e aquilo é falso.’ Ele tem que
continuar apontando para você tudo o que for falso, porque
quando você souber tudo o que for falso, de repente uma
transformação acontece em sua consciência. Quando você se
tornar consciente do que é falso, começará então a ficar
consciente do que é verdadeiro.
Não se consegue ensinar o que é a verdade, mas
certamente se consegue ensinar o que não é a verdade. Você
foi condicionado; você pode ser descondicionado. Você foi
hipnotizado – como hindu, muçulmano, cristão, jaina... A função
do Mestre é desipnotizá-lo. Uma vez que você seja
desipnotizado, de repente será capaz de ver a verdade. A
verdade não precisa ser ensinada. (...)”
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OSHO - The Book of the Books - Volume I - Discourse n. 3
Palestras sobre O Dhammapada, de Gautama, o Buda
tradução: Sw.Bodhi Champak
Observação: a continuação desta
palestra do Osho, foi publicada em português no boletim n° 13,
de maio de 2004, e encontra-se disponível no seguinte endereço: www.oshobrasil.com.br/conexaotexto13.htm
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