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Conexão
Brasil
abril de
2005 |
Amor
é Deus
"Jesus diz: Deus é amor. Mas eu digo a vocês: o amor é Deus.
'Amor' é uma palavra muito mais importante do que a palavra 'Deus'.
'Amor' tem um significado existencial. A palavra 'Deus' é completamente
vazia, ela nada significa, ela não se relaciona a coisa alguma dentro
de você. Ela é uma pura palavra, pura no sentido de que ela não tem
qualquer realidade correspondente dentro de sua experiência.
Embora ambas as
palavras indiquem a mesma verdade, 'amor' é a palavra dos poetas
enquanto 'Deus' é a palavra dos teólogos. Mas, obviamente o insight
poético é mais intenso, mais profundo e a sensibilidade do poeta é
também muito mais refinada, muito mais sutil que a dos teólogos. A
visão do poeta é também mais estética, mais bela, mais primorosa;
ela tem mais graça, mais sentido, mais significância. Além disso, a
escolha dos teólogos tem sido contaminada ao longo das eras por tantas
pessoas: hindus, cristãos, muçulmanos; por tantas igrejas; por tantas
religiões, as quais fingiam ser religiosas, mas não eram.
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The Lovers - O Tarô Zen, de Osho
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Amor ainda
permanece sem contaminação; ele ainda é virgem.
Assim, deixe-me
repetir: em vez de dizer Deus é amor, diga amor é Deus, e você
estará mais próximo da verdade. E não apenas mais próximo, você
imediatamente estará ligado à verdade, porque o amor é uma
experiência sua. Ele pode não ser tão profundo ao ponto de ser
tornar Deus, mas ainda assim, ouro é ouro, mesmo que não seja
refinado. O diamante é diamante mesmo que não tenha sido lapidado e
polido. O diamante pode estar perdido no meio da lama, mas, a qualquer
momento, ele pode ser limpo, a lama não consegue entrar dentro do seu
ser.
O amor é o seu
ser. E no momento em que usamos a palavra 'Deus', grandes
controvérsias se levantam. Use a palavra 'amor', e ficam descartados:
teísmo, ateísmo e todo tipo de argumentos desnecessários.
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O amor também
representa o centro mais interno da própria existência. A existência
não é indiferente a você, ela não é distanciada. Ela está
envolvida com você, ela cuida de você. Ela pode não cuidar do
jeito como você queria ser cuidado, mas ainda assim, ela cuida da
maneira que lhe é própria. E a sua expectativa pode não ser verdadeiramente a sua
necessidade; pode ser exatamente o oposto.
A existência de
fato preenche as suas necessidades, não o que você gosta e desgosta,
não o que você quer; mas as suas necessidades reais, verdadeiras e
autênticas são sempre cuidadas. A existência não pode ser
indiferente a você: você é parte dela. Ser indiferente a você
significaria ser indiferente a ela mesma, o que é impossível. A
existência já teria desaparecido há muito tempo, se fosse
assim.
Nós somos as
suas ondas. Nós somos as flores dessa árvore de vida e existência. O
seu desejo de ser amado e o seu desejo de amar é o seu desejo mais
supremo. Ele mostra algo da sua natureza básica fundamental, ele
representa o seu centro mais interno, ele representa isso.
Uma vez que você
entenda o amor como Deus, toda a sua visão da vida irá mudar. Então
você não irá venerar num templo ou numa igreja ou numa mesquita:
então o amor será a sua veneração. E então você não terá medo da
existência, porque ela cuida de você. O medo desaparecerá. Você não
terá medo nem mesmo da morte, porque a morte só pode levar aquilo que
não é mais necessário, mas ela não pode destruir você.
A existência é
a sua mãe, ela não pode permitir destruição. Nada é destruído,
jamais. Agora, mesmo os físicos concordam com isso: nada é destruído
em tempo algum e nada é criado. Nem mesmo um pequeno grão de areia
pode ser destruído ou criado. A existência contém a mesma quantidade
de matéria, vida, amor e energia que sempre conteve e que sempre
conterá.
Martinho Lutero
disse uma coisa tremendamente significante. Ele disse 'Pecca fortiter:
peque audaciosamente'. É estranho. A declaração parece ser
inacreditável: um homem como Martinho Lutero dizendo 'Peque
audaciosamente'. Mas realmente vale a pena refletir a respeito do seu
significado. Ele está dizendo: o amor permeia toda a existência, assim
não tenha medo. Mesmo se você estiver em pecado, seja audacioso nele,
porque a existência está sempre pronta para perdoar, está perdoando.O
amor sempre é perdão. Ele não quer dizer que você deve pecar.
Ele está simplesmente dizendo: o seu pecado é nada comparado ao
perdão que flui da existência para você.
Há poucos dias,
alguém me perguntou: 'Eu sou um grande pecador. Como posso perceber
Deus?'
Você não
consegue ser esse grande pecador. Você não consegue estar tão caído
que as mãos de Deus não possam alcançar você. Você não consegue
estar tão pesado e sobrecarregado pelos pecados que Deus não possa
levantar você. O peso dos pecados não pode ser maior que a graça de
Deus.
Esse é um dos
fundamentos do sufismo, que Deus é perdão incondicional. Ele tem que
ser, pois a sua natureza é o amor. O amor é a sua realidade. A
questão não é se o amor perdoa. O amor é perdão. Não existe a questão de
Deus perdoar
você. A questão surgiria apenas se Deus estivesse com raiva
de você. Só então a questão de perdoar surgiria. Mas Deus não pode
estar com raiva de você. Você é do jeito que ele o fez. Você não é
uma criação sua. Como ele pode ficar com raiva de você? Isso
equivaleria a estar com raiva dele mesmo, o que seria uma auto
condenação.
Mas você começa
a pensar a respeito de coisas pequenas como se você estivesse cometendo
grandes pecados. O ego sempre adora fazer grandes coisas. Mesmo se você
estiver fazendo algo errado, você vai querer fazer com que seja o
maior erro que jamais foi feito ou que jamais será feito. Você quer que ele
seja único, incomparável; você quer que ele esteja no topo. O ego
sempre se sente bem se algo grandioso está sendo feito. Pode ser um
pecado, não importa.
Que grande pecado
você consegue cometer? Todos os nossos pecados nada são, a não ser coisas
pequenas. Nós somos pequenos, nossos pecados não podem ser
grandes. Nossas mãos são pequenas: o que quer que façamos irá
permanecer pequeno, porque levará a nossa assinatura.
A sua vida,
virtuosa ou malvada, não será uma barreira nem uma ponte, porque você
já está conectado e não existe jeito de desconectá-lo de Deus. E
não é uma questão de que quando você peca, Deus o perdoa. Ele é
perdão: ele está continuamente fluindo em tremendo amor para você.
O amor dele é
como uma enchente e os seus pecados são como gotas d'água. A enchente
irá levá-las. E a enchente não vem para levar os seus pecados embora,
ela já está aí. Entender isso, compreender esse ponto, é um grande
alívio, como se uma montanha de repente desaparecesse, aliviando o seu
peito. Você se torna leve, sem peso. E somente em tal estado de leveza
você pode venerar.
O pecador não
pode venerar, ele está continuamente assustado. O medo não pode criar
prece. A prece criada pelo medo permanece política, uma estratégia da
mente para persuadir Deus; é um tipo de suborno. A verdadeira prece
surge da compreensão, do amor.
Lutero está
realmente certo quando diz: 'Peca fortiter: peque audaciosamente'.
Qualquer coisa que você estiver fazendo, faça-o audaciosamente. Você
pertence a Deus e Deus pertence a você. Este é o seu lar. Não viva
como um estranho, não esteja aqui como um hóspede, você é parte
do anfitrião. Viva sem medo. (.....)
Lutero está
certo quando diz: 'Pecca fortiter: peque audaciosamente', porque o seu
perdão é imenso, é infinito. E o que você fizer serão apenas pequenas
gotas d'água: a enchente virá e as levará embora.
O sufismo é o
caminho da graça. Nenhum esforço é preciso de sua parte: apenas
receptividade, abertura, um coração amoroso, um estado de entrega, um
relaxamento. E tudo aquilo que os chamados yogues não conseguem
alcançar em milhões de vidas, você alcança num simples instante. Seu
perdão vem tão rápido, ele é imediato, porque Deus conhece apenas um
tempo: o agora. Deus não pode adiar, ele não tem futuro. Ele não pode
dizer 'Amanhã', porque para ele não existe amanhã. O tempo significa
este tempo, este momento.
Para Deus tudo é
o presente. A nossa visão é limitada e por isso alguma coisa é
passado, alguma coisa é futuro e alguma coisa é presente. A nossa
visão é tão limitada que o nosso presente é muito estreito. Essa é
a proporção de nossa visão. Nós estamos olhando para a realidade
através de um buraco de fechadura: nós só conseguimos ver esse tanto,
tudo o mais é passado.
Sente-se atrás
de um buraco de fechadura e observe. Alguém vem: você vê de repente
uma pessoa surgindo do nada. Há um momento, você não era capaz
de vê-lo. Quando ele vem à frente do buraco de fechadura, você o vê,
e, no momento seguinte, ele já se foi, ele passou, de novo ele não
está mais lá. Num momento atrás ele estava no futuro, num momento depois
ele está no passado.
Você pensa que o
homem desapareceu? Você pensa que o homem de repente apareceu do nada e
que agora ele desapareceu no nada novamente, e que ele apareceu somente
por um simples momento? É a nossa visão que está criando o engano.
Saia de seu lugar escondido, abra a porta e você ficará surpreso: ele
estava lá antes de você vê-lo e ele está lá depois que você o viu.
Agora você terá uma visão melhor.
Para Deus tudo é
eterno agora.
O ladrão que foi
crucificado ao lado de Jesus, perguntou-lhe: 'Senhor, eu serei capaz de
vê-lo novamente no futuro?' Jesus disse: 'Hoje você me verá no reino
de meu Deus'.
A palavra é
'hoje' e isso é muito significante. 'Hoje você me verá no reino de
meu Deus'. O amanhã está fora de questão. Deus é imediato. Deus
está sempre presente. Assim, tudo o que acontece através de Deus,
acontece agora. E isso não está acontecendo para você, Deus não
está acontecendo para você, porque você vive ou no passado ou no
futuro, e ele nunca está no passado nem no futuro.
Daí a ciência
da meditação: ela traz você para o presente, ela traz você para este
momento. O passado é um pensamento e ele desaparece quando os
pensamentos desaparecem. O futuro também é um pensamento e ele
desaparece quando você abandona o pensar. Quando você está num estado
de não-pensamento, não existe passado algum, nem futuro, apenas o
presente existe. Em tal estado de não-pensamento você é um, em
sintonia com Deus. De repente a enchente está ali e você é inundado
com luz, com amor e com graça. Você não é mais um homem, você é
divino. Você superou a humanidade.
Humanidade é um
estado de sono profundo.
Deus é o nosso
pastor. Ele cuida de tudo. Nós estamos preocupados
desnecessariamente, e começamos a tentar tomar conta de nós mesmos. E
é assim que nos tornamos vítimas do lobo, a mente.
A mente diz: esse
caminho é mais seguro, mais prudente. Organize a vida dentro deste
padrão, não viva na insegurança. Essa é a constante mensagem da
mente. 'Não viva na insegurança, torne a vida segura. Tenha uma conta
bancária, tenha uma família, tenha os pés no chão. Faça tantos
arranjos quanto possíveis, assim você estará protegido.'
Deus é o nosso
protetor, mas a mente começa a atuar como protetora. E a mente é o
lobo, porque ela é criada por todo tipo de exploradores que existem no
mundo. Os padres, os eruditos e os políticos criam a mente, criam o
medo em você. Eles vivem do seu medo, eles criam uma constante
tremedeira; por toda a sua vida você permanece angustiado, tremendo,
com medo. Eles criam preocupação em você e a preocupação é a fonte
de sua mente.
Se a pessoa
estiver pronta para viver na insegurança, a mente desaparece. Aí não
existe necessidade de mente.
Sânias significa
viver na insegurança, porque Deus é a nossa única segurança. Sânias
significa viver sem qualquer medo, porque nós somos parte da
existência. Não há de que se ter medo. A existência não é
antagônica a nós; ela nos protege.
Mas a mente é um
subproduto do medo e por causa do medo ela segue criando sua própria
segurança: tenha mais dinheiro, tenha uma casa maior, tenha respeito,
prestígio, poder político. Conquiste amigos e influencie pessoas,
assim você estará seguro. Tenha muitos amigos, eles serão úteis. É
dito que um amigo é amigo somente quando ele o socorre nos tempos de
necessidade. Assim, tenha muitos amigos, faça concessões. Tenha uma
face falsa, sorria, assim você poderá influenciar pessoas.
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Você coloca
a sua segurança em coisas muito frágeis. E Deus é a sua única
segurança. Mas para conhecer a segurança de Deus, para saber que ele
é o seu pastor, você terá que confiar, terá que viver na
insegurança. Se você não puder confiar, você seguirá acumulando
lixo ao seu redor. (......)
Basta olhar as
pessoas. Quanto mais ricas elas se tornam, mais infelizes elas parecem.
Isso não deveria ser assim. E por que é assim? Isso é tão sem
lógica. Por que elas se tornam tão infelizes? Parece que elas não
sabem como viver na confiança, elas não sabem como viver na alegria.
Toda a vida delas tem sido trabalhar para ficar mais e mais seguras. E
não é muito difícil acumular muita riqueza. Mas ao mesmo tempo em que
você vai acumulando muita riqueza, a sua vida vai escorrendo pelo
bueiro. Então, de repente, a pessoa percebe: 'O que eu tenho feito? Eu
desperdicei a minha vida.' |

Trust - O Tarô Zen, de Osho
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Surge uma grande
frustração com a
percepção de que 'eu desperdicei a minha vida, acumulando coisas
desnecessárias, e agora todos aqueles belos dias se foram e somente a
morte existe no futuro'. A pessoa sente que fracassou tremendamente.
É dito que nada
é tão bem sucedido como o sucesso, mas eu digo nada fracassa tanto como o
sucesso. No momento em que você é bem sucedido, você conhecerá o
sabor do fracasso completo. (......)
A mensagem Sufi
é: Entregue tudo para Deus, entregue tudo para o todo. E veja: essa
existência infinita segue perfeitamente. A energia que cuida de
milhões de estrelas também pode cuidar de você. Você não precisa
carregar esse fardo na sua cabeça, você pode confiar. E basta algumas
poucas experiências de confiança e então você nunca mais será pego
na velha armadilha de novo, porque você irá saber que as coisas estão
sendo bem cuidadas. (......)
Você terá que
criar um tipo diferente de espaço. Um espaço diferente será
necessário. Tal espaço se chama confiança, entrega, relaxamento, fé,
amor, ou como quer que você queira chamá-lo. Uma vez que esse espaço
seja criado, você começa a se movimentar num plano totalmente
diferente. Você entra numa nova dimensão: é a dimensão sem morte, é
a dimensão sem medo. E então você viverá totalmente, audaciosamente,
e qualquer coisa que você faça, você estará totalmente nela,
completamente nela. Cada ato se tornará um caso de paixão e muito
criativo, não apenas nas coisas que você cria do lado de fora, mas em
alguma coisa que integra você também internamente. (......)"
OSHO - Unio Mystica - Discurso nº 5
tradução: Sw.Bodhi Champak
Copyright
© 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados.
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